Observação

Por: Tânia Liporoni

Pelas manhãs, gosto de abrir a janela para ver o astral da cidade. Verificar se está mais frio ou menos quente pelas roupas que as pessoas estão usando. Investigar se está chovendo, ainda que fininho, pelo pára-brisa dos carros ligados. Se a cidade está agitada, o trânsito nervoso, ou, se tudo é calmaria. À tarde, conheço as horas pelo movimento ou cansaço. E, a noite, sei quando vai ser inquieta, permeada de programações. Mas também sei se será tranqüila. Tudo isso pelo movimento das pessoas andando e dos carros transitando. Só por abrir a janela. Sobretudo, gosto de abri-la para saborear os encantos e as dores do mundo, ficar imaginando histórias para cada um dos passantes, os trabalhos, o aumento dos prédios. Não é mais aquela cidade calma da minha infância e nem será assim no futuro próximo, pois está em mudança constante. A janela - meu observatório particular e fonte de saborosas imaginações.

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