Colorido

Por: Karina Gera

No galho mais alto da árvore, algumas sementes ainda resistem trêmulas com a brisa dos últimos dias e persistentes à chegada da primavera. O sol aquece cada brotinho que começa a surgir, o ruído do vento muda a melodia e dá a vez para os pássaros e sua maestria. Os frutos ainda temem o silêncio quando a noite cai. De manhã, uma festa; e à noite, calmaria. Alguns morcegos rondam o território, mas sem sincronia; não se pode comparar com a dança das andorinhas, em suas curvas acentuadas perfeitas, emitindo sons de alegria. Morcegos são tristes e me dão medo.

Os galhos caíram faz algum tempo. Em volta das árvores, algumas folhagens secas serviram de adubo para o solo. Sei que ali, onde a paisagem está cinza, logo surgirão flores vermelhas, como as do ano passado. Apesar do último outono/inverno não ter sido tão intenso, parece que demorou mais a passar, senti muita falta do colorido das árvores que rodeiam meu jardim. O colorido faz falta para mim. Sejam bem-vindas, flores, tragam de volta todas as suas cores.

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