Tatuagens

Por: Tânia Liporoni

Infância. Gosto de manga verde com sal. Jabuticaba no pé. Tentativa de fazer comidinha em fogão improvisado com quatro tijolos, prancha fina e fogo de jornal. O arroz saía sempre queimado. Descalça pelo quintal. Às vezes, deitada no sol e no chão, para esquentar o inverno até vir um calor intenso. E aquela espera infinita, dias longos, um natal muito distanciado do outro. Irmãos para brigar e vizinhas para brincar: de comidinha, para queimar de novo. Mesa azul de criança e as cadeirinhas, usadas para comer, usar brinquedos, colocar na calçada e vender limão galego. Ninguém comprava e a gente se divertia, passava o tempo. O boneco Blim-Blim, de plástico, um após o outro, de forma continuada, para treinar a ser mãe: ele fazia xixi tão logo bebia água. Era simples e eu o adorava. A família, sempre uma parte importante. Os três apertados atrás do Fusca. E, as viagens aconteciam, mesmo assim. Seres em formação. Lembranças. Imagens vistas com os olhos de dentro.

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