Ringo

Por: Mauro Ferreira

Richard Starkey nunca foi um gigante da música. Coadjuvante de três gênios da música popular (Lennon, MacCartney e Harrison), foi sua passagem pelos Beatles que tornou o baterista Ringo célebre. Nem por isso deixaria escapar a chance vê-lo ao vivo no Brasil, com sua voz anasalada cantando o refrão de “Yellow submarine”, sucesso da banda mais popular de todos os tempos.

O Credicard Hall, em São Paulo, é um projeto de Aflalo & Gasperini, um dos mais importantes escritórios de arquitetura do país, considerado um dos melhores auditórios brasileiros, com som e imagem garantidos para todos que o freqüentam. Na fila da entrada, a fauna previsível: velhos cabeludos, roqueiros com camisetas, senhoras com tatuagens das imagens do filme Help, o comentarista de rock Fallabela, uma figuraça da mídia musical.

Antes de chegar lá, um extenso périplo pela avenida marginal do rio Pinheiros tinha garantido a primeira pérola do dia, o comentário do taxista sobre o shopping Cidade Jardim, “o xoping dos bacanas, só entra de carro, o cinema custa 80 merréis a entrada, servem até champanhe”. Fiquei quietinho, pois havia estado lá meses atrás, com o Zé Lázaro, Paulinho Vilhena e Zé Olavo para um jantar, senão ele ia querer aumentar o valor da corrida.

Organizado, o Credicard Hall. Fila rápida, lugar garantido, tudo muito tranqüilo, apesar da lotação esgotada, mais de sete mil pessoas. Do meu lado, um jovem de bermudas com a maior batata da perna que já vi, tatuada com um imenso e acadêmico vaso de flores, uma coisa espantosa que poderia disputar aqueles salões de arte que os ajudantes do Pistolinha fazem, certamente ganharia menção honrosa.

A música começou rigorosamente no horário, afinal, a pontualidade é britânica. Ringo e sua All Star Band, formada por bons músicos como Edgar Winter, Richard Page, Gary Wright e outros roqueiros, desfiou sucessos da carreira solo, como “It don´t came easy” e “Photograph”, sucessos dos Beatles e dos músicos acompanhantes. O encerramento, claro, só poderia ser com “With a little help from my friends”, sem direito a bis.

Na volta pra casa, ao ver um out-door do Drauzio Varella, o taxista conta a história do pai que foi salvo pelo médico famoso que apanhou seu táxi e ele pediu seu apoio ao pai, que estava numa fila de cirurgias que não andava no interior da Paraíba (como a da Santa Casa de Franca). Era Deus no céu e doutor Drauzio na terra, ainda mais com a campanha anti-tabagista “Um Brasil sem cigarro” em curso na TV.

Não achei de bom tom comentar com ele a campanha que o humorista Danilo Gentili lançou: “um Brasil sem Drauzio Varella”. Diz ele que Drauzio “descobriu que 100% das pessoas que fumam vão morrer. E das que não fumam também”. E completa dizendo que “não agüenta mais o doutor Drauzio entrando na vida de todo mundo, que é isso que o deixa doente”.

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