Nada

Por: Janaina Leão

Fundo urbano. Paisagem concreta e ácida para meus olhos marejados da província verde, das cachoeiras e das plantações e dos tucanos...

O fato de amor paulistano deu-se justamente em oposição ao que lhe era tendencioso. Prevaleceu o improvável: Elas não se tocaram...E fizeram a única coisa que duraria para sempre na memória - Nada.

É impressionante como em um ecossistema, tudo se equilibra!

O papel dessas duas plantas- pensem num cáctus de jardim e numa rosa de deserto - é de mostrar o mistério da Possibilidade.

Depois disso ouvi um mendigo dizer aos soluços:

— Eu sou feliz! Não tenho vontades, já me saciei de tudo na vida!

Logo minha mente sinaliza: Mendigo Culto!

E voltei para o hotel sem janelas...

Em proteção admirei por confabulações e lembranças: O corpo inteiro pulsando por isso. A cidade inteira pulsando por isso. O mundo inteiro pulsando por isso. E não fizemos Isso.

Fizemos Nada! E isso é como olhar para minha vizinha, Dona Norma, e contestá-la... Ela bota até a polícia no meio se bobear!

E do rosto da que escreve emerge um sorriso torto, um suspiro e um arzinho de contentamento irônico de flor que não tem perfume, mas sabe que encanta porque é bela... Belíssima.

Imaginem a sujeira parindo uma orquidácea... Acho que foi isso que eu vi.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras