Urgência

Por: Jane Mahalem do Amaral

Tenho observado certa urgência nas minhas escolhas e decisões.

Não entendam aqui urgência como correria e atropelamento. Não. A urgência que tenho percebido é aquela que sabe que não há mais tempo a perder porque o futuro já é bem menor que o passado. Não pode haver mais aquela história de que “agora não vai dar, mas quem sabe, no próximo ano...” Sinto que se não for agora, provavelmente não será mais... Digo isso em relação a viagens sonhadas, cursos interessantes que desejo fazer ou mesmo a decisões mais simples que, ou serão realizadas agora, ou...

É interessante observar que o tempo não dá mais tempo para indecisões, para detalhezinhos ou para reflexões muito longas. Ficamos mais práticos, menos comprometidos com a aprovação do outro e, principalmente, ficamos mais seletivos no verdadeiro sentido bíblico de separar “o joio do trigo”. Curiosa a palavra joio, nome de uma planta daninha que cresce no meio da plantação de trigo e acaba por atrapalhar a saúde dos grãos. Aprendemos a reconhecer mais rapidamente este joio na nossa vida e, rapidamente, encontramos meios para nos livrar dele. É claro que, em alguns casos, tudo isso vem acompanhado de sofrimento, mas não mais de amarguras... Aprendemos a nos desvencilhar mais rapidamente das culpas, compreendendo que aquilo foi daquele jeito porque não havia outra forma de ser naquele momento... Isso não significa ficar insensível, ao contrário, nossa sensibilidade se torna mais profunda e menos chorosa... Deixamos de nos ver como vítimas e assumimos a responsabilidade por nossos atos. Surge a certeza de que não temos controle sobre a vida e muito menos sobre as pessoas. Começamos a aceitar que cada um tem seu próprio caminho e por mais que queiramos mudar isso, nada vai acontecer, pois a escolha será sempre do outro.

Creio que é a isso que damos o nome de maturidade. Mas essa maturidade de comportamentos pode evoluir para uma maturidade espiritual. Isso acontece quando percebemos que o final da vida também se aproxima e não mais se justifica nos perdermos em fúteis discussões filosóficas que levam a lugar nenhum. Nossa morte também vai chegar por mais que não queiramos pensar nisso. E então? Não temos tempo a perder e necessário se faz caminhar em direção à Fonte verdadeira. Um bom começo para essa caminhada é deixar de buscar lá fora as soluções, mas simplesmente descobrir que a morada divina habita dentro de nós. Está aí uma urgência que não pode mais esperar...

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