Imperativo

Por: Eny Miranda

“Desenrolei de dentro do tempo a minha canção”
Aceitação
Cecília Meireles


Escuta as passadas do tempo
Que segue sem pausa, estrela a estrela,
Erguendo ruínas na areia e no aço,
Minando suportes de terra e de pedra,
De leste a oeste, cumprindo estações.

Vê o choro, o riso, o canto do tempo
Que ecoa e escoa em nortes e suis,
Além da curva da estrada,
E segue certeiro, da aurora ao poente,
Gravando caminhos de treva e de luz.

Sente o fino fio do tempo fatiando a vida:
Tênues lâminas de futuro desvelado
Presente que se dispõe passado,
Abrir e fechar de olhos
- Sopro-suspiro de corpo
Silêncio-sopro de alma.

Cheira os tons e suas matrizes, quentes e frias,
Embebe teus olhos e narinas e pele e ouvidos
Nas cores, nos odores e nos sons
Que fazem do tempo música, brisa, paisagem:
Canto lento de céu e terra, pintando e apagando vida,
Rendas de arvoredo e abismos de sol e sal.

Prova, bebe, aspira a vida,
Como a borboleta e o besouro:
Este, que voa desmentindo a Física;
Aquela, lagarta que apre(e)nde o voo.

Planta, colhe, perde, doa...
Compartilha.
Porque o além da vida não se sabe
E o aqui é puro enredo entre sol, luar e arvoredo.

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