Pior à noite

Por: Luiz Cruz de Oliveira

A noite fecha a loja e abre as portas do bar repleto de conversas ocas.

Uma cachaça e duas cervejas mais tarde, os passos sinuosos chegam ao ponto de ônibus. O homem embarca e dança a dança dos sacolejos e solavancos. Apoia-se na catraca e aguarda até que alma caridosa colha a moeda que voou da mão.

Despejado na periferia, tropeça em saliências da rua e em buracos da calçada. No beco, empurra portão cambeta, tropeça, reequilibra-se, tateia a parede, até a mão reconhecer a madeira. Retira chave do bolsinho da calça e, na quarta tentativa, ela penetra no buraco da fechadura.

Apalpa o escuro, esbarra no interruptor, e uma claridade mortiça preenche a saleta, orienta o rumo do quarto. Liga aparelho, a música inunda a casa, sai por todas as gretas e vai até o quintal, até a rua, até as casas vizinhas, disputar espaços com os rádios e com os televisores da vizinhança.

Esparrama-se na cama ainda desfeita.

- Eta solidão dos diabos, meu Deus.

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