Festas

Por: Chiachiri Filho

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Dezembro é um mês de festas, de muitos comes e bebes. É festa na repartição, nas empresas, nas associações profissionais. É festa de confraternização entre amigos e familiares.

Nem bem terminam as comemorações natalinas, começam as do fim de ano. É uma interminável maratona festiva. E o resultado faz se sentir logo nos primeiros dias de janeiro: barrigas estufadas, dores de cabeça, ressacas, má digestão e caras de enjôo.

Não se sabe, com exatidão, a data de nascimento de Jesus Cristo. Na verdade, as festas pagãs do final de ano foram sacralizadas pela Igreja. Portanto, se eu fosse governo, transferiria, através de um decreto, o Natal para o meio do ano. Julho, julho seria o mês ideal para as festas natalinas. O Papai Noel não sofreria tanto o calor dos trópicos e o nosso aparelho digestivo suportaria sem maiores problemas as calorias ingeridas. A leitoinha assada, o pernil defumado, a rabanada, as tortas de nozes seriam muito mais apreciadas e degustadas sob o agradável frio do inverno brasileiro. Não haveria tanto suores, tantos desarranjos intestinais, tantos males do fígado tantas enxaquecas e empanzinamentos causados pelas comidas gordurosas, ultra protéicas e de difícil digestão. Até o comércio beneficiar-se-ia com a mudança: julho é mês de pouca chuva, chuva que atrapalha a circulação dos consumidores. Além disso , o clima de inverno aproxima mais as pessoas e, assim, propicia uma melhor confraternização.

Um decreto, um simples decreto facilitaria a nossa vida e traria real contribuição para a saúde do povo. Fazem-se tantas leis e decretos inúteis, inoportunos e desnecessários. Não sei por que algum parlamentar, com o apoio da Igreja, não propôs a transferência do Natal para o meio do ano. Para o comércio seria uma mão na roda pois teria dois momentos excelentes para o incremento de suas vendas: em julho e em dezembro.

A data do nascimento de Cristo, como já disse, é muito difícil, senão impossível, de ser fixada. Por conseguinte, cada povo poderia definir o seu Natal. O nosso seria em julho. De julho a dezembro, haveria um espaço razoável para a boa digestão, desintoxicação dos corpos e a purificação das almas.

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