Tempo tempo tempo

Por: Tânia Liporoni

O tempo passa. Mesmo com a tentativa de viver o hoje e agora, ele passa. Mesmo com a intenção de ser presente naquele instante, ele segue em frente. Ainda que no intuito de degustar o momento e cultivar lembranças pois o futuro se constrói com aquilo que se vive , esse é o modo que se constitui uma pessoa, uma personalidade, dia após dia. Haverá alguma forma de reter a passagem das horas sem as escorregar por entre os dedos? Arranhá-las? Segurar o inseguro? Congelar os bons indícios, as boas horas, os momentos mágicos, o estado do espírito leve e livre? A mim, cabe o olhar paralisado. Perplexo e atônito.
 Retidão, qualquer que seja o desenrolar. O tempo está coerente dentro de suas incertezas, de suas aberrações, da falta de respostas. As coisas, olhadas de cima, ao longo de um longo período, perdem a dimensão, diminuem a importância, passam a ser parte do conjunto e são vistas apenas como um detalhe. E, a gente aqui, tentando viver o tempo como se fosse o único. E é, de um certo modo.

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