Barbie Esperança

Por: Silvana Bombicino Damian

Era o segundo natal que ela passava naquele lugar. E seria o último. Mas ela não sabia.

Ela não sabia muita coisa. No próximo janeiro faria cinco anos e já não poderia mais freqüentar a creche. E pra falar a verdade ela nem sabia ao certo quem lhe dera aquela preciosidade que apertava nas mãozinhas suadas; uma Barbie.Uns falavam em Papai Noel, outros em Madrinha. Seria uma fada madrinha como a da Cinderela? Não, ela não sabia muita coisa. Mas pouco importava, aquela boneca era dela! Era uma Barbie de verdade, vestido longo azul combinando com os sapatinhos de salto alto, bolsa dourada, brinco, pulseira, tudo tudo. E o mais importante, aquele sorriso! Sorriso que tocava lá no fundinho da sua alma e acenava um mundo mágico, sem privações nem medos, onde não havia lugar para nada que não fosse alegria. Ao seu redor o burburinho da criançada, presentes sendo desembrulhados, risos e gritaria. Naquele dia podia tudo. Mas ela num quase autismo voluntario, mal entendia o que se passava no grande refeitório, embriagada de uma emoção só agora conhecida. É que ela não sabia muita coisa.

Naquela noite, dividiu o travesseiro com sua boneca tão amada, mal se mexendo na cama para não despentear a bela cabeleira loira. Dormiu sorrindo como nunca antes. Ela sabia das coisas.

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