Miniconto de Natal

Por: Everton de Paula

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É esta a hora, única no ano inteiro, só vem na noite de Natal.

O abençoado ato se mostra na sala do asilo de velhos.

Todos dormem.

Recostei-me no sofá.

Sinto as mãos trêmulas e frias, mas cheias de amor maternal

e nenhum filho para acariciar.

Meia-noite.

Apanho o Menino Jesus do presépio, deito-o em meu colo...

E o embalo docemente, como fazia com meus filhos,

hoje distantes, ausentes.

A sala encheu-se de vida, de vida renovada,

embora pálida e fria como a luz infinita das estrelas.

Só eu, mãe de novo,

e o filho de Deus, tirado da manjedoura para o calor do meu colo.

Nós dois, extensão do universo,

naquele que foi meu último e encantado Natal:

o Menino me olhava... E sorria!

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