A mega da virada

Por: Chiachiri Filho

Para mim, a mega da virada virou em nada. Pifou, falhou, gorou, esvaiu-se. Durante um mês sonhei com a sorte grande. Mas, nada. Ela não veio. Frustou-me, decepcionou-me mais uma vez. Fiz muitos planos ( especialmente os filantrópicos ) como por exemplo, substanciosas doações para a Santa Casa e para os lares e demais entidades assistenciais de Franca. Pretendia ajudar amigos e parentes que estão sempre na pindura. Mas, não deu. Fica para o próximo ano.

Temos três chances de ficar ricos na vida. Já queimei duas. Não vou desistir da terceira. Hei de jogar. Jogar até ganhar.

O problema não é ser pobre. A questão fundamental é ser pobre e ter bom gosto. A boa comida, a boa bebida, a boa diversão, a boa vida custam caro. A angústia está em saber que as boas coisas existem sem que delas possamos usufruir por estarem fora de nosso alcance, do nosso orçamento, do nosso poder de compra.

Ser rico deve ser uma maravilha. Independer de um salário minguado, gastar sem preocupações ou limites, consumir exageradamente, desperdiçar, ostentar, viver numa perpétua mordomia é o sonho dourado de muitos pobres mortais. Para o rico, querer é poder. Para o pobre, querer é passar vontade.

Não pense o prezado leitor que o rico não tem as suas contrariedades. Ele as tem e a principal é com a guarda, a conservação e a multiplicação de sua fortuna. Essa preocupação leva-o, muitas vezes, ao abatimento físico, mental e, se as causas se acentuarem e persistirem, até à morte. E, por falar em morte, é nessa hora que o pobre leva vantagem. A hora da morte, para o rico, deve ser assustadora, dolorosa, lancinante. Ele despede-se de uma vida faustosa, confortável e opulenta. Ele tem muito a perder. Quanto ao pobre, ele não tem nada a perder. Resta-lhe a doce perspectiva de um paraíso celeste.

Não desisti, caro leitor. Não desisti e nem desistirei. Vou jogar na próxima mega da virada. Vou ganhar o grande prêmio e, para não ter preocupações, vou aplicá-lo inteiramente no auxílio de meus amigos, de meus parentes e nos meus projetos filantrópicos, projetos nos quais, evidentemente, eu me incluo.

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