O sentido da paixão

Por: Tânia Liporoni

Quem está com a razão? Assisti à reapresentação do programa “Roda Viva” com o escritor israelita Amós Oz, originalmente mostrado em novembro de 2011. Senti-me muito bem acompanhada nos meus pensamentos. É claro que ele dá um show com as palavras, impressiona seu humor e crítica, é um escritor ao qual admiro há tempos. Seus livros evocam sensibilidade, conhecimento da causa político-religiosa e uma qualidade literária inquestionável. Sobretudo, ele possui olhos vivos e atentos para o ser humano como parte e resultado dessa realidade. Mas, ficou em mim a sensação de negociação, de tolerância. Penso que não existe certo ou errado e nem mocinho e bandido. Há sim diferentes histórias vividas sob contextos peculiares que agem na formação de um indivíduo e dos indivíduos como coletivos, tornando-os peculiares, fruto do meio ao qual pertencem e por isso estarão com a razão também. E, considerando que não existe verdade absoluta, a única forma de se conviver com a diversidade é aceitá-la. Humildemente, por mais que ela pareça absurda, agnóstica, atéia ou religiosa demais. Olhar para o caminho do meio com mais atenção pois aí se abriga a resposta. Não para os conflitos de idéias, eis que estes continuarão a existir e é salutar que permaneçam, mas como um método para sobreviver à discórdia. Um jeito não violento que abrigue várias possibilidades, mantendo no mesmo nível de importância entendimentos diferentes, igualmente levados a sério e, portanto, respeitados. Um lugar onde as identidades são tratadas como apenas diferenças. E, nada mais. Sem ódios, sem guerras, sem disputas, sem massacres. Só diferenças.

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