Decadência e queda

Por: Everton de Paula

É difícil, fazermos hoje, uma ideia exata do que foi Roma dos Césares. A Cidade Eterna estava ocupada por uma imensa multidão de homens que, literalmente, não tinham o que fazer. Os alimentos eram distribuídos gratuitamente e, graças à suavidade do clima, todos podiam passar a maior parte do tempo ao ar livre.

Afinal, o que pedia a multidão?

Que a distraíssem.

Por isso, funcionários do Estado ou candidatos aos postos políticos tratavam de lhes proporcionar espetáculos atléticos ou teatrais.

Em lugar do tema “Atletismo para todos” o povo preferia se entreter com os jogos e os exercícios dos profissionais. E, como aumentasse a procura de distrações, foi preciso dar crescente “realismo” aos espetáculos. Os atletas passam a se matar uns aos outros, os prisioneiros passaram a ser atirados às feras. Ou seja, as arenas eram a televisão do povo de Roma. Notem bem a semelhança.

Os nossos espetáculos mais brutais pareceriam jogos inocentes se comparados com o grau de atrocidade atingido nos circos romanos.

Os atores eram realmente crucificados e vidas friamente arrebatadas e as torturas infligidas com a maior crueldade.

Quanto às exibições da sensualidade, será melhor deixá-las à imaginação do prezado leitor. Assim como tudo que adveio de Baco, o deus do vinho, a gênese do banacal... Ou mesmo do carnaval, se preferirem...

Homens, mulheres e até crianças assistiam a tais cenas no circo, palcos e arenas e não escondiam o entusiasmo que lhes provocavam. Era o sinal de decadência do Império Romano, prestes a ruir irremediavelmente.

Qualquer semelhança com a televisão contemporânea brasileira não é mera coincidência!

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