Naufrágios

Por: Chiachiri Filho

O naufrágio do navio Costa-Concórdia, nas águas do Mediterrâneo, leva-nos a meditar sobre dois aspectos muito interessantes. Nem sempre são os ratos os primeiros a abandonarem um navio em perigo. Às vezes é o próprio Capitão. Portanto, não se fazem mais capitães como antigamente.

O outro aspecto, que não chega a nos surpreender, relaciona-se com o perigo que uma bela mulher pode representar. Com o piloto automático ligado, o Capitão do Concórdia afogava-se nos braços , pernas e outras ondas revoltas de uma loira da Morávia enquanto o navio naufragava.

Sobre esse segundo aspecto da questão, um grande amigo meu, também deficiente visual, comentou:

- Eu sei bem o perigo que representa uma bela mulher. Já fui vítima de uma delas.

- Como assim? indaguei-lhe.

- Pois eu lhe explico.

Eu costumava fazer caminhadas em torno de um lago. Era acompanhado por dois amigos leais, fiéis, enfim, pessoas da minha inteira confiança. Numa agradável tarde de verão, quando caminhávamos em torno da lagoa, senti um estonteante perfume de mulher e, imediatamente, um silêncio profundo de meus acompanhantes. Sem uma mão a me guia , sem um braço a me proteger, acabei, em poucos segundos, mergulhando na lagoa. Foi aí que os meus companheiros perceberam a lamentável distração e correram a me socorrer. Mais tarde descobri a causa da imperdoável distração dos meus amigos. Foi o perfume. O perfume e a dona dele. Numa curva, os meus acompanhantes deram uma paradinha para apreciar com maior detalhe um par de nádegas que requebrava à sua frente. Eles pararam e eu continuei seguindo o aroma que me lançou às águas.

Portanto, meu caro escriba, por causa de umas nádegas rebolantes e fascinantes podem-se perder grandes amigos e imensos transatlânticos.”

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras