Devaneios

Por: Farisa Moherdaui

Num desses dias, no final do ano, por um momento ela lembrou algumas canções, que talvez nem sejam as suas preferidas, mas gostou, cantou, riu e até chorou. Assim:

“Tem dias em que eu fico pensando na vida...”

A sua infância, a família, a cidadezinha onde nasceu, as amigas, o primeiro namorado, o beijo roubado, a primeira desilusão. E pergunta a si mesma:

-”A vida tem sempre razão? Sei lá...”

“A estrela Dalva no céu desponta...”

E ela pede assim:

-Primeira estrela que vejo, dá-me o que desejo.

Faz seu pedido e espera. Se alcança? Às vezes.

“Aqueles olhos verdes...”

Ela tem saudade dos seus olhos verdes mas só aos seus olhos ela era bonita. Hoje, os seus olhos se escondem e ninguém mais os vê. Por que será?

“Bandeira branca, amor...”

E pensava que era mesmo só amor, mas a vida lhe ensinou que só amor não bastava. E vieram desamor e desilusão. Que pena!

“Sapato de pobre é tamanco...”

Em tempos idos ela usou tamanco, botinas e até alpargatas; hoje, sapatos ortopédicos que mesmo não sendo bonitos são macios, gostosos de calçar, aliviando joanetes e esporão.

“Adeus ano velho, feliz ano novo...”

Recordando o ano que passou e esperando o ano que começa ela agradece a Deus. E a vida continua...

Agora o recadinho para toda a gente, antes que janeiro termine:

“Feliz ano novo”.

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