No banco da praça

Por: Luiz Cruz de Oliveira

– Sabe o que é, compadre? De primeiro, toda hora eu aprendia uma coisa nova. Tinha vez que eu ficava até admirado... Como é que a minha cabeça podia guardar tanta novidade, tanta coisa diferente. Parecia caminhão de mudança. Agora tudo está derramando. Sabe que todo dia eu esqueço alguma coisa? Tem dia que eu esqueço um punhado. E os esquecimentos só tem aumentado nos últimos tempos. Fico matutando se isso acontece por causa da idade, ou se é por causa de alguma doença que o médico ainda não descobriu. O que que o senhor acha? Quem sabe o compadre, que é muito sabido, me ajuda? Eu preciso sarar.

– Deixa de ser besta, compadre. Sarar pra quê? Não está vendo que, continuando desse jeito, logo logo você esquece até que é pobre? Aí, sim, o compadre vai achar tudo uma belezura...

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