Monólogo de outono

Por: Eny Miranda

Há muito percebo em mim tua presença
Livre, leve, louca...
Esquiva.
Habitas-me a alma,
Intrigas-me o coração.

Minha pequena princesa,
Suave sábia menina
Que me inspira e me anima,
Não te doures em meus sóis
- Ouro poente de outono.

Não te percas nas noites minhas
- Crivos de prata polida
Sobre veludos antigos -
Nem nas manhãs - pálidas pétalas de sol
Abertas em rosa de inverno.

Não hoje!
Hoje desejo vida,
Clara-luz,
Cor, canto...
Encanto.
Sons de pássaros,
Vozes em coro...
Cantatas.

Desperta em mim a primavera.
Deixa-me nascer de novo
Na doçura de teus olhos.
Faze-me árvore, folha, flor...
Faze-me verde.

Faze-me água
A brotar da terra
- Prima luce, primo canto.
Faze-me fonte.

Faze-me fio de líquidas palavras,
Cada palavra no lugar certo.
Faze-me rio e mar aberto,
Faze-me verbo - verso e reverso
Indo e vindo pelo universo.
 

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