Assunción Marrecos

Por: Clésio Dante da Silveira

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A gloriosa Associação Atlética Francana, fundada em 1912 e que completará este ano seu primeiro centenário, possui uma rica história futebolística que a colocou em alto conceito no cenário esportivo regional e até nacional, em certo momento de sua longa trajetória.

São muitas as histórias colhidas ao longo do tempo, mas, no momento, vamos nos ater apenas a um detalhe curioso e às vezes despercebido, que são os nomes ou apelidos de seus atletas, às vezes chamativos, às vezes exóticos e que, embora salientes quando estão na ativa, com o passar do tempo a memória se encarrega de apagá-los. A cada tempo, o seu destaque, o nome mais em voga, mais popular, pontuando na escalação da agremiação alviverde. É prazeroso lembrar alguns deles, todos muito importantes para a formação da história futebolística local e, principalmente, do nosso melhor futebol.

Ficando apenas dentro da primeira metade de sua história, podemos começar lembrando, em princípio, um dos fundadores do clube e integrante da primeira equipe por longos anos. Seu nome era Beneglides, não tinha apelido, ou talvez fosse chamado por alguns de Professor Beneglides, no dizer do seu amigo João Luz. Junto dele, pelejaram Moscardo, Visibelli, Sanna, Toniquinho da Banheira, e outros do mesmo naipe, todos também diretores da agremiação ainda novata.

Um pouquinho mais de tempo e veremos na escalação esmeraldina os nomes de Olímpico, Líbia, Otorino, Abade, Cabo Verde e o mais modesto deles, Campeão.

Depois: passaram pela Francana Flecha, Bodoque e Machado. E, juntando-se ao seu verde e branco gloriosos, tivemos também Bianco, Zé Preto, Canarinho, Nego e até o Azur. Os nomes ou apelidos pequeninos também eram constantes: Bié, Pio, Iê, Tim, Ré, Fio.

E os repetecos? A Veterana já levou a campo Kiki, Totonho, Bibico, Dedé, Lulu e Vavá, sendo que este não era o da Seleção.

Diminutivos? Tivemos Loirinha, Tampinha, Bitinha, Ovinho, Vesprinha, Otavinho e, por fim, Lixinha.

Passaram pelas cores francanas naqueles tempos jogadores cujos nomes lembravam suas origens, mesmo que isso não fosse verdade, como Italo, Alemão, Inglês, Mexicano. Mas, não se pode dizer o mesmo sobre Tom Mix, apelido dado ao atleta talvez pela sua aparência com o herói dos quadrinhos ou por gostar daqueles gibis. Não se sabe.

Um goleiro paraguaio contratado pela Francana lá pelos anos 40 tinha um nome estranho para nós, mas foi logo acolhido pela torcida, pela sua perícia no arco defendido com muito vigor e pela sua simpatia. Seu nome era Assunción Marrecos, mas a torcida logo se encarregou de chamá-lo apenas por “Marreco”. Apelido era um costume difundido mundialmente, pelo menos, no mundo da bola. E tivemos também outros bichos: Quati, Formiga, Gatinho.

Então, quando se acostumou com o passar do tempo com escalações que tinham seus trios famosos de jogadores, como o São Paulo, com “Rui, Bauer e Noronha”, o Santos com “Coutinho, Pelé e Pepe” e a nossa Seleção de 70 com o inesquecível trio “Tostão, Pelé e Rivelino”, ouvimos dia desses delicioso comentário sobre saudoso trio de jogadores da antiga Veterana, cujos nomes pronunciados em seguida formavam uma frase engraçada. O trio era formado por Geraldo, Dico e Éca, nosso sempre lembrado treinador da equipe vitoriosa de 77. Só que, na afobação das escalações, com a ênfase que as transmissões esportivas exigiam, os locutores emendavam tudo e saía assim: “... Geraldodicueca...”

Bem, foi prazeroso recordar alguns apelidos dos jogadores e prazerosas também serão outras recordações que virão para festejarmos com orgulho o primeiro centenário da Associação Atlética Francana. Porque o segundo demora...

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