O décimo quarto

Por: Chiachiri Filho

A Constituição Federal, obra prima da ficção legislativa brasileira, preceitua que o salário mínimo deve satisfazer às necessidades básicas do trabalhador quanto à sua alimentação, à moradia, à saúde, à educação etc.

Nem o salário mínimo e nem mesmo aqueles que vão além do mínimo conseguem tal proeza. No Brasil, somente aqueles que percebem subsídios conseguem viver sem maiores preocupações. Não acontece o mesmo com os assalariados. Devem se dar por satisfeitos quando, no final do mês, conseguem saldar seus compromissos com a alimentação e moradia. Saúde, educação, cultura e lazer são coisas que estão longe de seu alcance.

Viver de salário não é fácil : é uma eterna luta pela sobrevivência. Se, ao invés de salário, o infeliz receber os proventos da inatividade, a situação piora ainda mais.

Condoídos com a penúria do assalariado, os legisladores nacionais instituíram o “décimo terceiro”. Com essa ajuda de custo extra, o trabalhador poderia participar um pouco mais das festas de fim de ano comprando um pernilzinho, um peru e alguns presentes para as crianças. Porém, o “décimo terceiro “esvai-se num abrir e fechar de olhos. Janeiro começa e, com ele, os impostos de sempre: O IPTU, o IPVA, o Imposto de Renda... E o dinheiro para pagá-los? Foi-se nas festas de fim de ano e continua indo nos carnês de prestações. Não sobrou nada. Não sobra nada. Por isso o governo deveria instituir o “décimo quarto salário” e, talvez, um “décimo quinto”.

Evidentemente, a condição do assalariado não teria uma mudança substancial. Contudo, ele não entraria num ano novo preocupado com tantas contas a pagar.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras