O tribuno da Franca

Por: Chiachiri Filho

Franca sempre teve bons oradores. Dizem que Antônio Constantino foi um dos melhores. Tinha voz, conteúdo e eloqüência. Não cheguei a ouvi-lo. Ele era de outra época.

Ouvi, apreciei e aplaudi os discursos do Dr. Antônio Baldijão Seixas e do Dr. Alfredo Palermo. Baldijão arrebatava a platéia com sua oratória vibrante, emocionada e que, geralmente, fazia-o chegar às lágrimas. Palermo era frio, didático. Falava como um professor e fazia o auditório pensar.

Willian Salomão e Flávio Rocha destacavam-se tanto na tribuna do júri quanto nos palanques eleitorais. Sem dúvida, um dos grandes oradores políticos de nossa terra foi Granduque José, secundado por Hélio Palermo.

Na realidade, o tribuno da Franca, aquele que marcou época e apossou-se do título, foi um homem baixo, careca, orelhudo, narigudo e bocudo. Refiro-me ao Sr. Teodoro Delmonte. Delmonte tinha a vocação, mais do que isso, a compulsão pela oratória. Onde houvesse uma solenidade, uma cerimônia, um ato público, lá, certamente, estaria Teodoro Delmonte, de terno e gravata, para pronunciar o seu discurso. Sem ser escalado ou convidado, ele esperava a hora da palavra livre para se pronunciar. Abria sua bocarra ornada por um único dente frontal e falava a plenos pulmões. Sua voz nasalada, era forte. Tinha eloqüência. Quanto ao conteúdo... Sua apoteose deu-se numa das exposições de animais realizada no Parque Fernando Costa, ocasião em que Teodoro discursou tantas vezes quanto foram os prêmios atribuídos aos bois e seus expositores.

Teodoro Delmonte chegou a quebrar o ritual das solenidades realizadas em Franca: quando ele estava presente, a palavra livre ficava suspensa.

Como disse, Teodoro Delmonte tinha voz e eloqüência. Ele se considerava um grande orador, um verdadeiro tribuno. O fato é que, na Franca dos anos 60, não há quem se esqueça do “abraço ou das saudações francaníferas” que Teodoro Delmonte usava para iniciar ou terminar seus discursos.

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