O tombamento da Barão

Por: Thereza Rici

Lendo dia desses as notícias do Comércio da Franca, acabei encontrando numa das páginas um título que me chamou a atenção: “Barão da Franca é tombado”, e em seguida os dizeres “Durante a cerimônia de lançamento do Programa Primeira Chance, o prefeito Sidney Rocha anunciou o tombamento do prédio da Escola “Barão da Franca”. Seguiam-se algumas informações, ou seja, que o prédio foi construído há mais de setenta anos, fica na rua Estêvão Marcolino, na Vila Santos Dumont, e agora íntegra o Patrimônio Cultural e Arquitetônico do município. Ainda: a Escola “Barão da Franca” é a segunda mais antiga da cidade, com quase noventa anos de funcionamento, por onde passaram milhares de alunos.

Fiquei deveras feliz com a notícia, mesmo porque se trata da Escola à qual dediquei vários anos da minha vida, administrando-a, convivendo com uma comunidade de nível social e cultural ímpares. É pelos tantos anos de alegria e felicidade que guardo um carinho imenso pela Barão”, e, por tudo isso, a notícia abalou-me emocionalmente.

Não sei se por coincidência, logo após a leitura do jornal e iniciando o meu trabalho, tentei falar por telefone com um colega advogado para obter algumas informações, mas quem atendeu ao meu chamado não foi o colega, mas um jovem que com ele está trabalhando. Este, quando lhe informei o meu nome, foi logo dizendo que estava feliz de ouvir minha voz, pois era um ex-aluno da Escola “Barão da Barão” da época em que por lá vivi, e que tinha um carinho muito grande por mim, recordações felizes do tempo que passou estudando sob o meu “cabresto”. Ao concluir, deu uma gargalhada.

Surpresa, pedi ao jovem que explicasse o “cabresto”, pois não estava entendendo sua argumentação. Ele disse: “estou falando da maneira como a escola era administrada, com disciplina, responsabilidade e autoridade, ou seja, os alunos não podiam chegar atrasados; portão fechado, ninguém entrava; o uniforme era a regra; não era admitida entrada pela frente da escola; havia uma preocupação constante com faltas ou notas dos alunos; pais eram comunicados e quando havia uma bagunça qualquer éramos levados à diretoria e o pau comia”. Rimos juntos.

Perguntei-lhe: e você ainda fala em saudades e carinho? Ele respondeu: “saudade sim, foi a melhor escola por onde passei.” Agradeci e disse estar contente de ser hoje sua colega.

Como esse moço, sempre encontro alunos que passaram pelo “Barão da Franca”, hoje homens ou mulheres feitos, chefes de família, profissionalmente bem sucedidos. Às vezes nem os reconheço, pois eram meninos, mas fazem questão de avivar minha memória. Dão-me abraços.

Juntos vivemos naquela escola, com autoridade, disciplina, organização, cobrança, pois que o diretor tinha autonomia; mas também com festas, alegrias e uma amizade que tem resistido ao tempo. E, hoje, o prédio onde tantos viveram e conviveram, e vivem e convivem, para o bem desta cidade torna-se Patrimônio Cultural e Arquitetônico. Muito justo.

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