Vó coruja

Por: Marina Garcia Garcia

A caminhada levou-me até a calçada. Um desenho de Amarelinha ou Maré (como chamávamos no meu tempo) no chão provocou-me o desejo de pular. O rídiculo e a falta de ligeireza não permitiram.

A criança, cá dentro, lembrava de jogo de Matança, Polícia e Ladrão, Pular Corda, Pique-de-pegar, Pique-de-esconder. Bonecas não me agradavam muito, mesmo porque nem tinha. O bom mesmo eram as brincadeiras na rua, as improvisações. A falta de tudo produzia um arsenal de criações que... Olha, nenhum videogame de última geração é capaz de suscitar tanto encantamento e diversão.

Célere, o pensamento arremata no brilho que vejo nos teus olhos. Os seus bracinhos e perninhas mexendo, querendo participar da conversa, emitindo gritinhos e múrmurios como quem, ainda, não sabe falar.

O que a vida reservará pra você, meu querido? Como serão suas brincadeiras preferidas? Poderá tomar a rua de maneira tão inocentemente como fazíamos? Você se apossará de conhecimentos insondáveis até para os atuais cientistas? O planeta será menos poluído? Haverá mais justiça social? O homem será mais solidário, menos violento? A Arte e a Cultura serão disseminadas entre todos? Será a Integridade, não exceção, mas regra em todo ser humano? A Paz será um sonho concreto?

Talvez possamos estar juntos para vermos tudo isso...

Deixemos o campo das conjecturas. Afinal, ainda faltam “um queijo e uma rapadura”!

Mas, se você quiser, vamos nos divertir muito com brincadeiras antigas e modernas. “Faremos tudo que mestre mandar”... Até pular “Amarelinha”.s

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