Maktub - estava escrito

Por: Heloísa Bittar Gimenes

Um ano sem minha flor; a única certeza é que nada mais será como antes.

No fechamento do primeiro ciclo, busquei minha “bapita” incansavelmente nos sonhos, nos choros, nas datas comemorativas, no quarto, nas fotos, em tudo o que fiz. Para não sucumbir, busquei lugares e pessoas que pudessem me dar um norte, me trazerem conforto; busquei a esperança.

Arranquei Deus dos templos, das igrejas e o convoquei para ficar bem próximo de mim, pois já perdera o suficiente e não poderia perder a fé.

Generosamente Deus se fez (e se faz) presente indicando-me caminhos possíveis de andar mesmo que ferida. Primeiramente me fez enxergar os que aqui estão e que são dignos de meu amor. Mostrou-me livros que me fizeram entender que a nossa dimensão espiritual é infinitamente maior do que pensamos e que o cemitério é o depósito dos ossos e não das almas. Nas várias leituras realizadas, nas orientações de pessoas amigas e entendidas do assunto, obtive a conclusão que devo sim saldar meu compromisso em fazer valer minha existência nesta morada, pois somente assim é que poderei encontrar minha menina.

O caminho é longo, pedregoso, mas não pretendo me acovardar. Acredito que estavam escritas na minha história todas essas passagens e, se escolhi ser mãe, é para todo o sempre.

A dor é sim constante, mas ninguém me prometeu que seria fácil. Nas escrituras sagradas há promessas do “ranger dos dentes” e não da facilidade. Busco diariamente a fé; busco diariamente minhas flores; busco diariamente a mim mesma. Por amor aceitei minha história, por amor levo-a adiante.

Nas demonstrações singelas vindas do alto, localizo a estrela mais brilhante e que geralmente está sozinha, e vejo nela a vida da Beatriz pulsando em outra dimensão, indo ao encontro da luz.

Esperançosa, creio que os dias que virão serão mais amenos e que saberei driblar a saudade.

Não sei o que a vida ainda me reserva, não consigo prever o que está escrito, mas até onde eu possa interferir, até onde eu possa escrever, estarei aqui dando testemunho que a beleza da vida não está somente naquilo que vemos e que temos, mas sim naquilo que sentimos e cremos. Eu creio na vida. Na vida que acontece aqui e lá. É isso que me sustenta e é isso que me faz caminhar.

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