Água na boca

Por: Chiachiri Filho

É inegável que Sônia Machiavelli escreve muito bem. Para comprovarmos, basta-nos uma simples leitura de seus textos. Ela sabe narrar, descrever, dissertar, analisar. Há arte e correção nos seus textos. Sabe usar as palavras com propriedade. Seus artigos são interessantes, agradáveis, ricos, fluentes.

Quando um bom escritor resolve discorrer sobre as artes culinárias, ele vira um verdadeiro demônio. A tentação submete a nossa vontade e somos facilmente levados ao pecado da gula. Evidentemente, é uma gula virtual. A apresentação das iguarias desperta em nosso espírito uma vontade louca de mordê-las, mastigá-las, degluti-las. Porém, palavras são palavras: não são pitéus. E assim, o nosso estômago, provocado e estimulado, continua vazio, roncando, protestando e reclamando por algo mais sólido e real.

Pois bem! Sônia, ao escrever sobre culinária, deixa-nos, pelo menos uma vez por semana, com água na boca. Abre-se o nosso apetite diante dos pratos preparados e descritos. Semanas atrás, ela nos apresentou um “baião de dois”. Confesso que senti o gosto da carne seca e o sabor da culinária nordestina. Confesso que a minha boca encheu-se d’água e quase comi o próprio texto. Porém, contive-me e para compensar a frustração, comecei a levantar algumas dúvidas sobre as habilidades culinárias da Sônia. Será que ela faz ou só descreve? Será ela tão boa cozinheira quanto escritora?

Comentando o assunto com o Luís Neto, ele garantiu-me que é a própria Sônia que prepara os pratos. Ela prepara e, evidentemente, o Júnior os experimenta. Daí o seu tamanho e robustez. Boa cozinheira não tem filho magro ou desnutrido.

Contudo, o paladar de um filho não é suficiente para atestar as habilidades culinárias da mãe. Como disse, para comprovarmos a qualidade dos textos da Sônia, basta-nos lê-los. Para nos certificarmos de suas qualidades culinárias, é preciso que as experimentemos. Portanto, tomo a liberdade de sugerir que um leitor (eu, por exemplo ) apareça numa foto saboreando os pratos e dando a sua opinião. Ao invés do “ver para crer” de São Tomé, eu proponho o “comer para crer”. E só de pensar já fico com água na boca.
 

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