Re-velando

Por: Eny Miranda

“Meus olhos ficam neste parque, minhas mãos no musgo dos muros,para o que um dia vier buscar-me, entre pensamentos futuros.”
Cecília Meireles
in Retrato em luar


Aqui estou, diluída no espaço

Da praça, do parque, da vida...

Sopro lançado ao sereno;

Corpo dissolvido em limos

E fontes e ramas e flores...

Olhar flutuante.

O coração pulsa nas águas,

Regendo sons cristalinos.

Nos ares, suspensa,

A alma inteira.

Nos olhos, abertos,

Da Lua e da noite,

O tempo é lembrança

e presença.

Envoltas em fios,

Minhas palavras se tecem

em malvas e heras,

“Mais duráveis”,

Já “que a voz é o apelido

do vento”.

Olhos debruçados no ocaso,

Deponho-me aqui:

Carne e sonho entre verde

e vento;

Vaga sombra, viva música,

“solitária, perfeita e pura”

Poesia eternizada

No infinito de um momento.

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