Algo em comum

Por: Mauro Ferreira

Frequento academia regularmente (não aquela outra) para fazer exercícios físicos com a “tia” Maristela, a conselho dos médicos que querem prolongar com qualidade nossas vidas, mas o tempo é implacável. Tempos atrás, ao chegar à academia, os desgastados e sexagenários neurônios falharam e devo ter esquecido de puxar corretamente o freio de mão do meu carro, estacionado numa rua íngreme. Escutei um breve estalido. Quando olhei, meu carro começava a descer a ladeira. Sozinho.

Tentei correr, como aqueles cachorros que correm desesperadamente atrás do caminhão de mudança e, se o pegam, não sabem o que fazer. Nem isso deu tempo, o carro foi mais rápido e ao descer correndo, tive uma pequena distensão na virilha, desgraça pouca é bobagem. Ou mais uma dor nova para a “tia” Maristela dar jeito. O carro não foi muito longe, desceu em direção à avenida Ismael Alonso onde o movimento era enorme àquela hora, bateu escandalosamente num outro veículo estacionado, subiu na calçada e arrebentou a lixeira de uma senhora que devia estar tranquilamente tomando seu café da manhã. No ar frio da manhã, além do susto, apenas o ruído do alarme que disparou.

O dono do carro abalroado, estupefato, tomava um café defronte um escritório quando assistiu a cena incomum. Prejuízo certo, embora eu tenha seguro do veículo, que foi acionado imediatamente. Foi ele que me chamou ao bom senso, ao comentar o que poderia ter acontecido de pior, se o carro tivesse invadido a avenida Ismael Alonso, poderia ter caído no córrego, poderia ter atropelado alguém ou batido em outro veículo, causando uma tragédia de grandes proporções. Por isso, é possível lembrar sem traumas, o prejuízo foi grande, mas apenas material.

Tirando logicamente a estratosférica diferença entre os saldos de nossas contas bancárias e o valor dos veículos envolvidos, o episódio serviu para verificar que há algo em comum entre eu e um dos maiores empresários da cidade, pois lembrei que, tempos atrás, por motivos diferentes, ele também causou furor na região. Frequentador da mesma academia, seu carro teve um defeito mecânico e desceu a rua paralela à do meu acidente em alta velocidade, bateu numa palmeira e foi arremessado para o outro lado da avenida, onde destruiu um muro. Felizmente ninguém ficou ferido, também foram somente materiais os prejuízos.

Vou recomendar ao Edu da academia para proceder a uma bela lavagem naquelas ruas, pois elas precisam, igual das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim na Bahia. Devem ter algum encosto ou mau-olhado, pois ali perto também mora o prefeito, que já causou confusão com os caminhões de um supermercado vizinho que estacionavam barulhentamente e agora se diz “perseguido” pelo MP e pelas manchetes da imprensa. Nessa hora, tenho pena dos cones, devem estar sendo impiedosos com eles. O mundo gira e a Lusitana roda.

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