A fé

Por: Maria Luiza Salomão

Para
Lúcia Helena Maniglia Brigagão.


É preciso ser livre, interiormente, para re-ligar o humano ao Humano, transitar da Imanência pesada do Caos (multiplicidade expressa em diferenças sociais, econômicas, psíquicas) ao Transcendente, universal Cosmos, a harmonizar e concertar o que é verdadeiramente grande no velho Mundão. Os sábios, os que trilham difíceis trilhas na conquista de um desenvolvimento físico, psíquico e principalmente Espiritual, orquestram, juntos, a Música a exigir ouvidos educados para ouvi-la.

Se algum dia eu acreditei em Santidade, e já acreditei com toda a Fé da minha pureza de menina, hoje não acredito mais. Mas tenho Fé. Tenho convicção de que o importante é a pessoa ter Fé - no Inconsciente, em Deus (sob qualquer formato que queira dar a Deus), em propósitos, metas, ou pessoas do seu círculo.

Fé neste fluxo de intensidades interiores que deságuam em algo intangível. Invisível. Inaudível. Creditar vida à Vida, fora da lógica racional. Cada pessoa inventa, à sua imagem e semelhança, este “algo”, para o qual não há uma só Palavra, mas que move o nosso interior e move todos os seres vivos. Até mesmo os seres inanimados. Doa-se alma, humana alma, aos seres animados e inanimados, que, assim, incorporam qualidades. As qualidades vêm temperadas pelos recônditos e esconsos Desejos humanos, desejos não reconhecidos por vezes, em meio a permanente penumbra que envolve a arredia alma. Quase que poderíamos inverter o “ver para crer”, do São Tomé, para “crer para ver”. Se não mudamos as crenças arraigadas, enraizadas em nós, há pouco espaço para novos brotos de percepção.

Fé na Vida, fé em Deus, fé no Inconsciente, fé em nós mesmos. Milagrosamente expressa em Palavra, esta Fé! Qual Palavra?

A Fé opera a Metamorfose que nos faz escultores dos nossos Destinos, e nos sustenta no tempo durante até nos capacitar a encontrar a instrumental Palavra, aquela que diz dos nossos princípios, meios e fins.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras