Os agostinianos

Por: Chiachiri Filho

Durante muito tempo, coube aos Agostinianos a direção administrativa e espiritual das paróquias de Franca. Por aquela época, havia a paróquia de Nossa Senhora da Conceição e a de São Sebastião. Pouco mais tarde, instalou-se a de Nossa Senhora das Graças. Cabia também aos Agostinianos a gestão do Seminário Nossa Senhora Aparecida ( a Capelinha ).

Das mãos de Frei Ângelo criado, espanhol de nascimento, recebi a primeira comunhão. Diziam que era um santo e, sem dúvida, ele levava jeito: silencioso, calmo, compenetrado, tolerante.

Meu pai era diretor do jornal O Aviso de Franca e, em virtude disso, conheci e convivi com os Vigários de nossa Matriz. Dentre eles destaco Frei Tobias e Frei José. Frei Tobias Faleiros era baixinho, olhos arregalados, careca, enérgico, franco, bravo. Frei José Pinto Ribeiro era mineiro de Guaxupé ( ou Jacuí). Gostava de fumar um cigarrinho de palha e conversar sobre a História da região. Conduziu com tranqüilidade e sabedoria os destinos da Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Além dos Vigários, outros frades marcaram a presença dos Agostinianos em nossa cidade. Frei Luís Varanda gostava de fazer discursos, de pregar e, nas missas de domingo, mandar os fiéis (que ficavam em pé atrás do templo) ajoelharem-se na hora da consagração. Frei Custódio Miranda dirigia com sucesso a revista Santa Rita (de distribuição nacional ). Era também conhecido pelo apelido de “Frei Facadinha” por estar sempre solicitando doações para a Igreja ou anúncios para a Revista. Frei Eloi Madri baixinho, de olhos espertos, passos rápidos e comportamento alegre vez por outra visitava a sua terra natal, graças à contribuição de fiéis mais abastados. Numa de suas viagens à Espanha, ele desejou visitar um recinto fortemente guardado pela polícia do Generalíssimo Francisco Franco. Proibido de entrar, ele justificou-se ao segurança:

—Yo soy un periodista.

E o guarda respondeu:

—Tanto peor.

Enfim, os Agostinianos tiveram uma participação importante na formação religiosa e cultural da Franca. Foi um trabalho fecundo que sempre será lembrado e respeitado pelos fiéis.

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