Quem está com o Chafi?

Por: Chiachiri Filho

Chafi Felipe era um excelente professor de desenho. Gostava de ensinar e conhecia a matéria. Fui seu aluno, um péssimo aluno. Não tinha nenhum interesse pelas circunferências, pelos trapézios, pelos planos, pelas linhas tangenciais, pelas interseções, pelo estudo das perspectivas. Porém, às custas, conseguia passar de ano.

As melhores aulas do Prof. Chafi, tive- as no Arquivo Histórico, local de suas constantes visitas. Ali aprendi o que era expressionismo, surrealismo, cubismo e outras tendências da pintura moderna. Chafi era um mestre e deixou uma importante obra pictórica sobre Franca.

Além de suas lições sobre artes plásticas, Chafi contava episódios marcantes de sua vida. Contava-os e sempre os repetia. Gostava de falar sobre a sua estadia em Uberaba. Discorria, nos mínimos detalhes, sobre o seu concurso e aprovação no exame de admissão ao cargo de professor de desenho. Por ter presenciado, ele narrava com minúcias a entrada das tropas getulistas em Franca em setembro de 1932.

Suas histórias, insistentemente contadas, traziam , segundo a observação de alguns, os toques da criatividade do artista. Para muitos de seus alunos, Chafi exagerava nos fatos, nos traços e nas cores. Por isso mesmo, inventaram e atribuíram ao professor a seguinte história. Numa de suas viagens aos Estados Unidos da América (e ele não fez nenhuma), Chafi estava numa esquina da Casa Branca, conversando tranqüilamente com o Presidente Richard Nixon. Nisso, passou um grupo de norte-americanos, devidamente acomodados num Cadilac, e um deles gritou:

- Como vai Professor Chafi? Tudo 0K?!

E o outro membro da comitiva completou:

- Quem é esse cara que está aí com você?

Chafi Felipe morreu recentemente. Porém, por muito tempo lembraremos de suas histórias e de seu amor por sua profissão e pela Franca, sua cidade adotiva.

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