Pela rua

Por: Igor Aparecido Faleiros

Romeu, sem qualquer esperança, detém-se diante de uma vitrine de bolsas na avenida Nossa Senhora de Copacabana. É domingo. O crepúsculo se desata sobre o bairro.

Romeu espera. Na multidão que vai e vem, entra e sai dos bares e cinemas, surge o rosto de Julieta, que some num vislumbre. O coração dele dispara.

A partir dali, ela a vê no restaurante, na fila do cinema; vestida de azul, dirigindo um automóvel; a pé, cruzando a rua. Mas Julieta era miragem que finalmente se desintegrou com a tarde acima dos edifícios e se esvaiu nas nuvens.

A cidade é grande, tem quatro milhões de habitantes e Julieta é uma só. Em algum lugar, ela está a esta hora: parada ou andando, talvez na rua ao lado, talvez na praia, talvez conversando em um bar distante ou no terraço do edifício em frente. Talvez esteja indo ao encontro do rapaz sem que ele saiba, misturando-se às pessoas que Romeu vê ao longo da avenida. Mas que esperança! Romeu tem uma chance em quatro milhões. Ah! Se pelo menos ela fosse mil, disseminada pela cidade...

A noite se ergue comercial nas constelações. Desesperançado, ele continua. Seu coração vai repetindo o nome Julieta, abafado pelo barulho dos motores, solto na fumaça do combustível queimado.

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