Exclamação interrompida

Por: Caio Porfirio

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- Ei, querida.

- Oi. Você por aqui? Há quanto tempo...

- Quem é vivo sempre aparece.

- Estou vendo. E a Marli?

- Esquece. O gato comeu.

- Acabou com ela?

- Coisas da vida. E o Sérgio?

- O gato também comeu.

- Não diga! Nunca mais o vi.

- Esquece também.

- Você continua linda.

- E você é o mesmo gatão.

Riram. Olharam-se longamente. Ela suspirou:

- Para onde vai?

- Com este feriado... Batendo perna. E você?

- Ia comprar umas coisinhas sem importância. Deixa pra lá.

Tocaram-se os dedos. Entrelaçaram-se. Olho no olho. Atravessaram a rua.

Poucas pessoas na manhã ensolarada.

Ele tossiu. Ela tossiu. Mudos. O braço dele enlaçou-lhe discretamente o ombro. A mão dela apertou-lhe mais os dedos.

Entraram no prédio bonito. Ela se mostrou curiosa:

- O que é aqui?

- Mudei-me para cá.

- Você ficou rico?

- Ainda não.

Subiram no elevador.

Chegaram ao apartamento.

- Que coisa mais lin...

A porta fechou-se, interrompendo a exclamação.

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