O meu presente

Por: Farisa Moherdaui

Se já ganhei na loto, no bingo, no sorteio de uma casa, se uma caixa de bombons, ou um simples alfinete? Que nada, mesmo porque nunca joguei e muito menos tive vontade de jogar. Então, ganhar de que jeito?

Mas naquele sábado à noite enquanto participava de uma missa da Igreja de São Sebastião, a do meu bairro, falei baixinho para Nabiha, a amiga que estava ao meu lado, da emoção que eu sentia, da vontade de chorar e da vontade de ver Jesus. E Nabiha, muito engraçada, me consolou e, em cochicho, me deu um puxão de orelhas.

- Tá doida, Farisa, para com isso e reza. Obedeci.

Logo depois, quase ao final da missa, como sempre acontece, o sorteio da Bíblia Sagrada, realizado pelo alegre celebrante padre Anderson, que brincava de tirar e colocar na caixinha os papeizinhos com os nomes dos participantes, até que se fez suspense e foi dito o nome sorteado: Farisa Moherdaui. Assustada, cochichei comigo mesma:

- Virgem Maria, sou eu sim a sorteada e sortuda.

Em pura emoção fui até ao altar onde recebi das mãos do padre a dádiva, a minha Bíblia Sagrada que me pareceu ainda mais sagrada, dado o momento de tanta espiritualidade. Beijei o livro santo, as mãos do padre Anderson, agradeci a Deus e à sorte.

A Bíblia, o livro que desde sempre faz parte da minha vida, onde encontro amor, verdade, coragem e paz. Ainda durante a missa busquei numa das suas páginas o versículo que me reconforta, sempre:

“Vinde a mim todos vós, fatigados e sobrecarregados e eu os aliviarei...”

E precisa mais?

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