Palmeirense violeiro

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Nossa maneira de nos cumprimentarmos nunca mudou, independentemente do lugar e da hora. Eu tomava a iniciativa.

— Ei, corintiano!

— A mãe, não. Ofender pode, mas não bota a mãe no meio.

Ele era palmeirense e torcia mais pela derrota do rival que pela vitória do seu time.

Conhecemo-nos quando fui nomeado para a agência do Banco do Brasil de Franca, onde ele já trabalhava, além de lecionar Contabilidade em escolas da cidade.

Trabalhou por mais de vinte anos em setores diferentes, em andares diferentes, sempre distante da Carteira Agrícola, onde eu praticamente morava. Então, nossa convivência era mínima. Mas, de longe, admirava aquele homem que crescia diante de mim através dos elogios de seus alunos.

Os colegas diziam que ele tinha ensinado Rolando Boldrin a tocar violão eram ambos originários de São Joaquim da Barra.

A aposentadoria possibilitou-nos encontros demorados e muito alegres na Praça Nossa Senhora da Conceição e na Praça Barão condomínio de aposentados e desocupados francanos.

A conversa fiada solidificou nossa amizade.

Agora Antônio Della Vecchia conquistou, por merecimento, nova aposentadoria. Sumiu. Certamente está a ensinar acordes para algum anjo, em algum banco de praça do infinito.

Eu continuo aqui, torcendo pela vitória do Corinthians e, do Palmeiras, de todos.

Qualquer hora, também farei jus a novo descanso e poderei novamente amolar o Della Vecchia, chamando-lhe de corintiano.

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