Casais

Por: Caio Porfirio

Ela a encontra saindo da galeria:

- Oi, querida, por aqui? .

- Vim comprar umas coisinhas.

- Você está linda nesse vestido .

- E você, com esses cabelos lindos! Continua firme com o bonitão?

- Por enquanto. Sempre metido naquele terno, gravata horrorosa, cafona. O teu, sim, parece um artista.

- Artista? Nunca se livra do blusão marrom. Um horror. Parece um caipira. Depois a gente se fala. Estou com pressa. Tchau.

- Tchau.

Do outro lado da rua:

- Ei, cara, como vai? Sempre elegante, engravatado . . .

- E você, nesse blusão de caubói ... Sai casamento com aquele pedaço de garota ou não?

- Casamento? Estás brincando. Sempre metida naquele vestido. Uma droga. E aquela deusa, ainda firme com ela?

- Firme? Só pensa em dar piruetas naqueles cabelos. O fim da picada.

- É isto, meu. Então adeus.

- Até mais.

Tomam caminhos diferentes.

Ele ajeita a gravata e a encontra na entrada do shopping.

- Demorei?

- Um pouquinho, amor. Já estava com saudade. Vamos?

Alisa os cabelos, saem abraçados, perdem-se entre os transeuntes.

O outro abotoa o blusão e a vê de longe.

- Que bom, querido. Já estava nervosa.

Alisa-lhe o blusão e saem aos beijos.

O engravatado beija-a mais uma vez:

- Te amo.

- E eu te adoro.

O de blusão beija-a mais uma vez:

- Te adoro.

- Te adoro mais.

O engravatado pega um táxi, sempre aos beijos, e se vão.

O de blusão pega um táxi, sempre aos beijos, e se vão.
 

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