E ele existe

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Ao nascer, deram-lhe o nome de Rosa. Clarinha, mimosa fazia jus a ele. Mas, infelizmente, cresceu em um jardim hostil, sem luz solar, com pouca água e terra infértil. Sua família era infeliz, sem amor, sem fé, onde a indiferença prevalecia. Conforme Rosa crescia, os espinhos sobressaíam à flor. Não exalava perfume, não tinha pétalas aveludadas, suas folhas eram de um verde pálido, sua haste pendia...Tinha grande dificuldade de relacionar-se com pessoas próximas, colegas de escola ou superiores. Era desconfiada, defendia-se de possíveis críticas e comentários desagradáveis. Desmotivada, não se concentrava nos estudos. Já moça, era desprezada pelas outras jovens em flor. Angustiada, solitária e infeliz, Rosa fenecia. Em uma tarde quente, desanimada, saiu para dar uma volta, sozinha, quando vê um jovem que a olha diferente, com doçura e lhe sorri. Era ele que iria mudar sua vida. Aproximaram-se e ele se mostrou dócil, educado e amoroso. Rosa nunca encontrara alguém assim, até duvidava que pudesse existir e apegou-se a ele com toda a energia que lhe restava. Aos poucos sua vida foi mudando, espelhava-se no comportamento deste moço gentil, com propósitos definidos, que vinha de uma família carinhosa. Aprendeu a se respeitar e a se dar valor. Estudou e tornou-se uma boa profissional. Encontrou o amor e com ele o perfume de Rosa ressurgiu, suas pétalas tornaram-se suaves, suas folhas verdejaram, a haste se ergueu e os espinhos apenas complementavam a flor, na sua verdadeira função. Agora, sim, Rosa era a rainha das flores. Casaram-se, tiveram filhos, criados com amor, pois ele existe e modifica as pessoas. Ela tinha aprendido a ver o mundo com os olhos cor de rosa...

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