De mexericas e natureza

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Dias atrás, o solzinho de outono nos convidou para um passeio, em um sítio, lá pelos lados da divisa de Minas Gerais, onde a paisagem é belíssima, com muitas árvores, pastagens, eucaliptos. Ornamentando esta visão estão as serras e os morros verdes desenhados, tendo ao fundo um céu azul, comprovando o nome “Terra das Alterosas” para este estado. A estrada é muito boa, asfaltada, sinalizada e logo passamos pelo Mosteiro de Claraval. Continuamos mais um pouco e chegando ao nosso destino tivemos uma visão maravilhosa do pomar, onde as mexeriqueiras, carregadas com frutas maduras, tinham o sol refletido em suas copas, dando a impressão de serem de ouro. A natureza é mesmo sábia e tem seu tempo certo. Brinda-nos com maravilhas que, às vezes, não apreciamos ou nos esquecemos de observar.

Cumprimentamos os moradores e após os afazeres habituais, pegamos duas cestas enormes e fomos atrás daquelas doçuras, tenras, grandes e saborosas. Com muito cuidado e com o auxílio de uma escada, meu marido apanhava as mexericas, repassava-as para mim que as colocava nas cestas. Escolhidas, uma a uma, mudávamos de lugar para alcançar as mais bonitas e logo terminamos nossa tarefa. Enquanto a realizávamos o tempo pareceu parar. As lides urbanas deixaram de existir. O prazer do momento era maior do que tudo. O silêncio só era cortado pelo barulho dos sanhaços que voavam para todos os lados, eufóricos com tanta fartura de frutas. Outros pássaros como canarinhos, bem-te-vis, sabiás, tucanos, tapicurus, curicacas faziam companhia para nós, naquela tarde de clima ameno e sol brilhante. Ali ficamos por algumas horas olhando o desenvolvimento das novas mudas que foram plantadas, o surgimento dos brotos, a obra inigualável da natureza. Colocamos as cestas com as mexericas no carro, pois elas já tinham destino: familiares e amigos as esperavam com ansiedade. Prolongamos o nosso lazer e ficamos observando para ver se víamos alguns pássaros que estão quase em extinção como gaturamo, coleirinha, azulão, pica-pau de coleira, gavião cinza e que voltaram a ser vistos, mesmo que raramente, voando livremente por lá. Este é um passeio que gosto de fazer, principalmente na companhia de quem eu vou ...
 

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