Intensamente Paris

Por: Silvana Bombicino Damian

Domingo, três de junho, 17horas, chegada no aeroporto Charles de Gaulle. Uau, Paris!

Dia seguinte cedinho, Solange (mana um ano mais velha), com o mapa das ruas da cidade na mão e à frente, eu seguindo a mestra um passinho atrás. Tem coisas que nunca mudam.

Saímos do hotel no Boulevard St Jacques e fomos flanando pelas ruas da cidade. Uau, Paris! Pra onde olhar, meu Deus? Arquitetura deslumbrantemente planejada, os plátanos verdes anunciando o vigor da primavera, frutas coloridas e suculentas expostas quase que nas calçadas, pequenas e incontáveis floriculturas com espécies e cores que meus olhos de 53 anos jamais viram...

À noite passeio no Bateau Mouche sobre as águas do Sena. Noite é forma de expressão, já que na primavera, vinte e duas horas ainda está claro. Champagne, queijos e magia. Tive a nítida impressão de ver um luxuoso catre e o perfil altivo da duquesa de Guermantes passar acelerado à minha direita do Sena. Pensei melhor e desconfiei do champagne. Então escureceu e as luzes da Torre Eiffel se acenderam. Uau, Paris ! Eu canto porque o instante existe.

Dia seguinte, Sô com o mapa do metrô nas mãos, e eu grudada nela. Je ne parle pas français. Champs Elysées. Procurei Swan não vi nem Odete. O que encontrei foi a Louis Vuitton apinhada de mulheres comprando bolsas imperceptivelmente diferentes umas das outras ( as bolsas, claro), aproximadamente dois mil euros cada...

Em uma das lojas, ao me dirigir ao jovem vendedor, percebi horrorizada que todo conhecimento de inglês que adquiri em muitos anos de estudos, tudo que eu sabia, encontrou em algum lugar do meu cérebro a palavra exit. It is gone! Depois de se esforçar para me entender, o rapaz deu um meio sorriso e disse ‘beautiful English’. Merci beaucoup. Quase perguntei se ele entendia sinal de fumaça. Quero o Brasil! Em outra loja a mocinha percebendo toda minha fluência perguntou se eu não queria falar em ‘ brasileiro’. Ela era portuguesa. Dei um beijo nela.

Quero envelhecer francesa. Magra e discretamente poderosa.

Noite seguinte jantar no Louvre. A Mona Lisa só para nós. Olhei para ela, que por sinal é bem menor do que esperava, e lancei o desafio : se você desvendar o meu mistério eu desvendo o seu. Zero a zero. Só tivemos acesso a uma galeria, o que nos serviu de idéia das maravilhas reunidas naquele lugar impar. Dante e Virgilio no Inferno, de Delacroix ... Quando duas formas de arte se encontram me parece que o homem deu mais um passo em direção a Deus.

Dia seguinte, Sacré Coeur. Subimos de funicular para evitar os muitos degraus, e na hora de descer o bilhete não funcionava. Apertei o botão de comunicação com os responsáveis e disse ‘help’. Uma voz feminina respondeu qualquer coisa e eu disse I Don’t Speak ‘ françoase’. Antes que eu acabasse de pensar ‘credo, o que foi que eu falei!?’, escutei uma gargalhada francesa. Quero o Brasil! Pelo menos ajudei alguém a liberar endorfina. Uma senhora gorda e negra ( a única pessoa gorda que vi em Paris) que assistia à cena, se aproximou de nós rindo, pegou os bilhetes e mostrou que estávamos tentando descer de funicular com bilhetes de metro usados. Dei um beijo nela. Descemos de escada. A semana voou. The time is gone, the song is over. Paris, não sai daqui que eu volto.

Domingo, nove de junho, seis horas , chegada em Guarulhos. Uau Brasil! Muita gente chegando e por um equívoco de informação de funcionário passamos direto pelo Free Shop. Quando percebemos o erro e voltamos, um funcionário extremamente ríspido e mal humorado nos disse ‘não podem voltar, é proibido’! Foi o nosso bom dia do Brasil, e as primeiras palavras em português que escutamos. Quero Paris!
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras