Nascimentos

Por: Jane Mahalem do Amaral

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Nasceu a avó! No dia 04 de Junho de 2012, Melissa chegava ao mundo trazendo, junto com ela, no bico da cegonha, uma avó.

A ansiedade da chegada provocou certa turbulência, pois a bagagem estava cheia demais de emoção. Era preciso pagar excesso de peso. O coração se dividia entre batimentos muito alegres e alguns ritmados de preocupação. Como seria a aterrissagem? Como chegaria aquele serzinho ao nosso mundo? Mil perguntas alvoroçadas e o cuidado especial com a mamãe que entre uma dor e outra, sorria, já imaginando a alegria do novo encontro. O papai, pilotava o complicado momento, ficando ao lado, ajudando a fazer força, mostrando, às vezes, um olhar profundamente compassivo pela dor da mulher amada. Também o avô começava a nascer. Eram olhares cheios de perguntas que não chegavam a ser feitas, já que a expectativa era maior do que qualquer palavra. A máquina fotográfica na mão esperava o novo, o desconhecido. Como seria ela? A nossa Melissa! A querida Mel! A outra avó, também presente, rezava e entregava a Deus o precioso momento.

E aí ela chegou! Logo que foi aberta a cortina, ficamos com as caras pregadas no vidro. Caras de bobos, tenho certeza... E os olhares e as perguntas não tinham nada de original: Com quem ela se parece? Como é linda! Olhem as mãozinhas...

Naquele momento nascia também uma mãe, um pai e quatro avós...

Melissa era a responsável por tantos novos nascimentos...

Para mim, o momento era único e particular, no entanto, eu apenas fazia parte do ato mais antigo e mais visceral vivido por toda humanidade: a continuidade da Vida. O que sentimos é mais do que uma simples alegria de ter um novo bebê na família. A alegria e a festa, creio eu, se concretiza numa dimensão mais sutil, quando somos capazes de sentir essa parceria com Deus. O nascimento é uma bênção que recebemos para experimentarmos um pouquinho, só um pouquinho mesmo, da grandeza da Criação.

Depois os outros milagres também acontecem: vem o leite, o bebê começa a sugar e aquela mulher que era apenas uma fêmea, se transforma, milagrosamente, em mãe que, instintivamente, já sabe pegar sua cria e colocá-la ao peito para alimentá-la. É a magia da Vida que se repete incessantemente... É o Sopro Divino que não nos deixa duvidar que há, neste espaço/tempo, algo muito maior que nossos olhos terrenos conseguem enxergar. É preciso abrir outros olhos e acalentar a certeza de que não estamos sozinhos nesse universo. É preciso crer além do meramente formal e real. A vida É. Habita em nós o Divino, pois se assim não fosse, não poderíamos compartilhar a maravilha que é uma gestação e um nascimento.

Junto com a Melissa, nasci como avó. Ela já chegou me ensinando que não há milagre maior do que a própria Vida.

Seja bem-vinda, querida neta!
 

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