A importância que nos damos

Por: Heloisa Pereira de Paula Reis

O fato de nos irritarmos quando alguém não satisfaz nossos desejos, não realiza nossas vontades, quando não nos deixa passar à sua frente em qualquer situação que se apresente, denota a importância que nos damos e que nos julgamos merecedores. Pensamo-nos, de fato e de direito, sermos melhores do que todos aqueles que de nós se aproximam, mais importantes para o outro do que realmente somos. E isso faz com que nos imaginemos no direito de agir e julgar conforme nossos parâmetros, tão nossos, tão melhores que os do outro. Mas, o que nos faz pensar que somos os privilegiados, aqueles que foram escolhidos para brilhar e ofuscar o outro, com o direito de sair à frente de todos? A soberba?

Quem foi que disse que devemos ser os primeiros em qualquer lugar? Quem o disse esqueceu-se de dizer que se todos nós nos supomos merecedores do primeiro lugar, não haverá quem ocupe os demais. Ou não? Quem ocupará o segundo, o terceiro se estamos todos no topo, no ponto mais alto da importância humana, sem nos atermos a que existe uma gama imensa de outros lugares, que vão até o infinito?

Por que será que nos endeusamos tanto, nos sentimos com o direito de conseguir tudo de bom que há no mundo e não o outro?

Por que nos presumimos no direito de receber os créditos por tarefas realizadas e das quais só participamos com caras e bocas e que denotam o quanto estamos incomodados com tal situação? O competir? Mas para que competir se o primeiro lugar já nos coloca em situação privilegiada?

Andamos por falsos caminhos... Atemo-nos à realidade assumida por nossas ações. Incomoda-nos pensar que o primeiro lugar não nos pertence. Na tentativa de deixar a justiça de lado, esquecemo-nos que melhor que estar à frente de tudo e de todos, é assumir a responsabilidade de ser aquele que dá o melhor de si, para que tudo seja feito da melhor maneira possível. Para si e para o outro. Sempre.

Como se possível fosse. Ou não?

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras