Falência iminente

Por: Chiachiri Filho

Salomão não suportava mais o Oriente: era muito conflito, muita bagunça, muito ódio, muito radicalismo. Ele era um homem de paz e boa vontade. Detestava a guerra. Não queria pegar em armas e matar. Sua vocação era o comércio. Portanto, num belo dia de dezembro, ele acomodou suas coisas num baú e veio para o Brasil. Em Franca, montou um pequeno bazar de armarinhos e logo progrediu. Gostava de comerciar. Tinha dom para o negócio . Sabia fazer amigos e cativar fregueses. Em pouco tempo passou a vender em sua loja vários produtos. O brim era um deles. Anunciou com tal eficiência a qualidade do seu brim que vinha gente de longe para comprá-lo. Na verdade, o tecido não tinha lá tantas qualidades como ele proclamava. Certa feita, uma família de lavradores foi até a sua loja para provar-lhe que o brim encolhia. Ao entrarem em seu estabelecimento (os pais , devidamente acompanhados dos filhos ), Salomão foi imediatamente dizendo:

-Parabéns! Benza a Deus! Como suas crianças cresceram e engordaram!

E assim Salomão ia prosperando. Porém, o olho gordo do senhorio veio atrapalhar a vida de Salomão. Pediu o prédio para vender o ponto comercial para outra pessoa. Salomão teve de mudar e não foi feliz no outro ponto que alugara. As vendas começaram a cair e Salomão a dever. Devia para os fornecedores, para os agiotas e para o terrível fisco. Porém, Salomão era teimoso e não desistia. Foi para São Paulo a fim de comprar novas e mais mercadorias. Além das mercadorias, Salomão voltou com os braços cheios de presentes. Não era qualquer presentinho. Eram presentes caros para os seus amigos, credores e familiares. Uma tia sua, conhecedora de sua situação financeira, repreendeu-o:

Você está para quebrar e ainda traz esses presentes caros para todo mundo. Onde você está com a cabeça?

-No lugar, minha tia, no lugar. Se eu não lhes trouxesse esses presentes, aí sim é que todo mundo pensaria que eu estaria falindo e negando-me o crédito.

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