Interlúdio

Por: Silvana Bombicino Damian

Ela ficou parada com o copo de chopp na mão. Ele sem graça e sem jeito repetindo aquelas palavras tão clichês tipo a culpa não é sua, o problema está comigo, só preciso de um tempo e outras bobagens afins.Quando ela conseguiu se recompor pensou primeiro em como havia sido tola em não perceber sinal algum que previsse aquele momento e segundo, onde havia ido parar a inteligência e criatividade dele para terminar um ano de relacionamento com palavras tão medíocres.Ele pediu licença, pagou a conta e saiu. Ela continuou sentada bebericando o amargo daquele líquido amarelo e olhando a imensidão do mar através do vidro e ao longe. O mar é infinito, pensou. Não importa o que digam, o mar é infinito! Depois se deixou levar por toda aquela imensidão, o que durou longos três minutos. Aí olhou para o céu e todo conhecimento que ela sempre cultivou e acompanhou sobre as descobertas e possibilidades do Universo ou talvez dos Multiuniversos colocaram o mar em seu devido lugar. Nano-mar pensou. Nano-eu e nano-tudoque-me-cerca. Sentiu-se doente. Não, aquilo que apertava seu peito como uma mão impiedosa não tinha nada de nano. Então se lembrou do tempo! Mais vigoroso e implacável que essa dor. Avassalador. E era tudo de que precisava. Levantou-se da mesa e saiu.

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