Catador de latinhas

Por: Ronaldo Silva

Menino.
Latinha de Coca-cola na mão,
pés descalços encardidos.
Desconhece o doce sabor do refrigerante
e o da vida lhe é amargo.

Apenas cata latinhas
e vai enchendo a sacola,
saco sem fim da sua miséria,
bolsa barata do seu (não)futuro.

Importa-lhe recolher latas.

De cesto em cesto, ligeiro,
gira atento pelo Terminal.
Não faz diferença
se chove ou se faz sol,
se frio ou calor.

Importa-lhe recolher latas.

Deve haver um mágico que,
findo o dia, transforma as latinhas
em arroz, feijão e bife.
Mágica mamãe ou papai, sei lá...

Importa-lhe recolher,
recolher o máximo que puder.
Hoje, amanhã, depois...

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