Guarde a receita

Por: Farisa Moherdaui

Foi num dia desses que me veio aquela vontade de comer peixe, mesmo não sendo o meu prato preferido. Mas vontade não tem dia e nem hora para acontecer né? Então vamos à peixaria, aquela que conheço como uma das melhores, na qualidade do produto, no asseio e no bem servir. Saí, pensando no mais simples, compro a tilápia, a merluza ou o cascudo, pois de peixe eu pouco entendo, e o que queria era satisfazer a minha vontade. Atendeu-me um funcionário educado, mas que me pareceu iniciante no trabalho e querendo ajudar. Recomenda a sardinha chilena, aquela de que eu nunca ouvira falar e muito menos comer. Enquanto apreciava as fatias magras, fui ouvindo o vendedor:

– A senhora vai sentir a diferença entre a sardinha chilena, muito mais saborosa que o filé de aranuã, o badejo ou o robalo.

Dada a insistência do vendedor, acabei levando para casa dois quilos da tal sardinha chilena. Vi também a Nilda desanimada no preparo da diferente iguaria. Mas o tempero da Nilda, mãe do céu! À sardinha ela juntou azeite, azeitona, palmito, ervilha, tomate, champignon, cebola, manjericão e cheiro verde. Depois, tudo levado ao forno.

Se ficou bom? Claro que sim: corada, cheirosa, mas o nome eu esqueci. Então liguei para a peixaria, mas o funcionário educado também esqueceu e foi jogando com o nome: – Sardinha argentina, mexicana, baiana ou goiana, até que como num alívio diz:

– Lembrei, dona; é sardinha do pesque e pague.

Concordei e, independente do nome e da procedência, a sardinha saborosa casou bem com a mjadra, aquela delícia feita com arroz, lentilha, azeite e cebola bem cortadinha.

Você que está com água na boca, vá à peixaria e peça a sardinha do “pesque e pague”, mas não esqueça a mjadra, combinação perfeita que vale a pena. Experimente.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras