Escrevendo em causa própria

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Gostava de escrever desde criança e, como muitos escritores, começou escrevendo cartas para amigos e vizinhos que não sabiam fazê-lo. Na pequena cidade onde morava, redigia o jornal estudantil, compondo poesias, escrevendo crônicas e peças de teatro. Daí, a versatilidade que o caracterizava. Escrevia sobre qualquer assunto em qualquer gênero. Neste momento de sua vida, trabalhava para uma editora, contratado para escrever romances policias, nos quais poderia explorar intrigas, violência, sexo, mas nada de política ou consciência social. Morando sozinho, na capital, com trinta e sete anos, auferia bons lucros com sua criatividade, pois seus romances faziam muito sucesso. Além do mais, usava um pseudônimo que lhe dava tranquilidade. Estava feliz com sua liberdade, seu conforto, seu jeito de viver.

A vida é dinâmica, tudo se modifica e Otávio começou a se cansar desta rotina, apesar de agradável. Sentiu que lhe faltava um amor verdadeiro que tornasse sua vida mais estimulante. Saiu à procura desta pessoa, no elevador, no trânsito, entre as colegas de editora, em todos os lugares que frequentava. Procurou e não achou. Resolveu fazer uma viagem. Escolhido o destino, a companhia aérea, o voo, foi em busca de novas vivências. Entrando no avião, sentouse em uma poltrona do corredor, pois ela estava ali, no lado da janela. Uma moça belíssima que o encantou. Voltava para seu país, após uma temporada de férias no Brasil.

Otávio voltou casado e eram muito felizes. Inspirou-se em sua fase atual para escrever um romance de amor. Dedicou-se a ele com afinco, mas precisou interrompê-lo, pois a editora cobrava novas produções. Esqueceu-se do romance e o abandonou. Priorizava a nova vida com Kate. Tudo ia bem, quando ela, como uma ave que volta ao ninho, voou para sua terra, deixando-o só. Sensível que era, sofreu muito com a separação, atéque uma escritora amiga consolou-o com seu afeto e atenção. Otávio sentiu-se no direito de ter outro relacionamento, organizou o seu trabalho na editora e começou, imediatamente, a escrever o segundo romance de amor de sua vida, só que, desta vez, não se esqueceu de dar a ele um final feliz.

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