Fragilidade humana

Por: Chiachiri Filho

Droga! Droga! Droga! Meu computador pifou! Estou com raiva e sem rumo. Não sei o que fazer. Não posso escrever, não posso ler, não posso fazer nada. Estou sem memória. Estou preso, amarrado, indefinido, desconsolado. Preciso escrever esta crônica e não tenho como. Bem que o meu inesquecível amigo Felipe Facury me avisava:

– Cuidado com o computador.

Felipe, além de funcionário da Prefeitura, era assessor contábil de várias prefeituras da região e nunca usou um computador para suas atividades profissionais. Ele me dizia:

– Chacha, cuidado com o computador, no começo nós o usamos mas, depois, nós somos usados por ele.

Que saudades do tempo do papel e do lápis. Se a ponta quebrasse, bastávamos apontá-lo de novo. Que saudades da velha e boa máquina de escrever. Se as letras não aparecessem, bastávamos trocar a fita. Agora não, agora é um tal de software, de novos programas, de formatação complicada, enfim, de toda uma parafernália tecnológica.

A tecnologia transformou-nos em escravos. Que faremos se o nosso celular der um defeito? Que faremos se faltar luz, se o carro não funcionar, se o relógio digital enguiçar? Jogá-los-emos fora e compraremos outros? E se não existirem mais os do mesmo tipo, os de mesmo modelo, os de mesma performance? E se não existirem mais essas máquinas infernais que nos aprisionam em seus sistemas?

Somos escravos. Na verdade, somos escravos da tecnologia. Criamos facilidades que se transformam em prisões que fatalmente complicarão a nossa vida.

Ah! Que saudade do lápis, do papel, das máquinas de datilografia, dos lingotes das linotipos, do componedor, das páginas de chumbo, das máquinas de impressão, das redações enfumaçadas e agitadas.

Que saudades da liberdade, dos passeios a pé, da vida real e não virtual.

Pois é, prezado leitor, estou com raiva, muita raiva. Para escrever este artigo tive de cativar o meu filho até o último ponto final.

Mas há uma esperança. Sempre há uma esperança. De dias melhores. De novos programas, mais práticos, mais ágeis, mais completos que, infelizmente, em pouco tempo estarão ultrapassados por novos softwares, novos aplicativos, novas invencionices.

A máquina que nos salva é a máquina que nos escraviza. Contra ela nos revoltamos. Mas, o que fazer, se nesse nosso mundo dela precisamos. O jeito é aprendermos, aprendermos sempre. Aprendermos a cada novo upgrade.

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