Informaré

Por: Eduardo Pereira Monteiro

A globalização nos trouxe, dentre outros fatores, a redução das distâncias. A velocidade de se obter e irradiar informações amplia nossa capacidade de domínio do meio. O ideal darwinista está ultrapassado, uma vez que os avanços decorridos pelo conhecimento, nos mais variados âmbitos, inverteram os valores naturais e a espécie passou a selecionar o meio a ser dominado e principalmente “navegado”.

Velejamos na terceira revolução industrial. A primeira, século XVIII, com a substituição das manufaturas pelas maquinofaturas. No século XIX, temos a segunda, com o surgimento da eletricidade, do motor a combustão, da fundição do aço, dentre outros. Com a revolução das telecomunicações e a consequente inovação da internet, estamos navegando na informaré da terceira revolução industrial.

Pablo Picasso dizia: “Os computadores são inúteis. A única coisa que podem fazer é dar repostas”. Porém, é através das respostas que acionamos nossa capacidade de defesa em caso de discordância. O conhecimento forma-se com o debate das respostas por meio das perguntas. Para alguns estudiosos, o problema são as consequências dessas respostas, fazendo-se necessário, portanto, uma “navegação dosada”.

A adolescência é a faixa etária mais atingida por esse vício. Isso é decorrente da crise da idade. A internet como um meio divulgador de informações encontra na juventude alvo fácil de dominação, uma vez que consola suas dúvidas e necessidades por meio de um “click”. Temos pouca defesa no processo de construção da personalidade, e automaticamente somos sujeitos à sedução viciosa.

Para a psicóloga Maluh Duprat, o hábito de utilizar a internet torna-se vício, quando seu uso privatiza outras atividades, dominando nosso comportamento com a ilusória satisfação a que somos submetidos. A necessidade de ir mais longe, como meio de suprir a “demanda” psicológica, naufraga a capacidade de discernimento do indivíduo, tornando-o inopinado quanto a sua conduta.

Hábito e vício têm grau de abstração elevado, quando se aplica juízo de valor. O vício de ler um bom livro sobrepõe-se ao hábito da mesma leitura. Para a plena dominação e navegação do meio, necessitamos estar aptos para não naufragar a embarcação da análise crítica e da imparcialidade. O planejamento é a primordial ferramenta para driblarmos a sedução da informaré e consequente seleção natural.

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