O Importante e o Essencial

Por: Jane Mahalem do Amaral

Nossa vida é cheia de coisas importantes. Procuramos espichar o tempo, pois dentro dele não cabem todas as importâncias que precisamos realizar em um só dia. E tudo que consideramos importante é inadiável. Tem hora certa e somos nós que temos que correr, pois o importante nunca pode esperar. A reunião marcada, o horário da escola, o trabalho, o dentista, o médico, o gerente do banco...

Importante também é fazer aquele financiamento para comprar a casa. Muito importante é guardar dinheiro para trocar o carro, pagar todas as contas, reclamar das multas, conferir os extratos bancários, comprar o presente para o aniversário do amigo, pagar o aluguel, resolver aquele problema do condomínio, levar o cachorro ao veterinário, estudar para o concurso, dar mais um passo naquela negociação, ganhar dinheiro para viajar nas férias...

O dia termina e, quase sempre, chegamos ao travesseiro plenos de cansaço e profundamente desanimados. ‘Corri o dia inteiro e não fiz tudo que precisava’, nos diz a mente atribulada, convencendo-nos que poderíamos ter sido melhores, que não produzimos o necessário.

O outro dia amanhece nos oferecendo o mesmo ramalhete de funções estéreis que esperam ensandecidas apenas o abrir dos olhos para começar de novo.

Tudo isso é realmente importante e nada podemos deixar de fazer. Mas essa contínua realização de tarefas programadas não é uma escolha nossa. É apenas a repetição de padrões sociais estabelecidos. Todos temos que ser assim. É isso que precisa ser feito e é dessa forma que se faz. Vivemos com os pés enterrados nessas crenças, mas descuidamos de nossa fé.

A palavra fé vem do latim fides, que significa ‘fiar-se de’, ‘ter confiança’. Essa confiança pode ir alem da religião, pois no momento que optamos por algo na vida, confiamos plenamente que este caminho irá nos oferecer alegria e felicidade. Temos fé que escolhemos a opção certa. Já a crença é o conjunto de afirmações que fazem parte de uma doutrina (religiosa ou não), constituindo seus dogmas e suas promessas. Andamos cheios de crenças e vazios de fé. Realizamos o importante, e nunca temos tempo para o Essencial.

Essencial é silenciar a mente para nos deixar inundar de um sentimento religioso cósmico. Essencial é perceber a futilidade de nossas ambições cotidianas e intuir a nobreza e a ordem reveladas pela dança do universo. Essencial é ter um olhar de compaixão porque compreendemos que nossa essência é única e que a palavra diferente só existe no dicionário do nosso olhar julgador. Essencial é desenvolver uma consciência mais ampla, uma hiperconsciência que acolhe e respeita. Essencial é cuidar do corpo, respeitando-o como um templo. Essencial é ter a certeza de que podemos criar nossa própria realidade, pois onde vai nossa atenção e intenção também vai a concretização dos nossos sonhos.

Dizem os mestres que se cuidarmos do Essencial, o resto virá por acréscimo. Não é preciso deixar de fazer o importante. Podemos apenas abrir um espaço para que o Essencial se manifeste e nos faça mais plenos durante essa nossa curta caminhada no planeta.

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