A cruz da vida

Por: Marcos Cason

O titulo acima é de uma música de José Fortuna, consagrado compositor sertanejo que compôs vários sucessos, dentre eles, “Paineira Velha”, “Cheiro de Relva”, “O Ipê e o Prisioneiro”, e também é dele a versão em português de um clássico da musica paraguaia “Índia”. Quando ouvi “A cruz da vida” pela primeira vez, lá pelos sete anos de idade, não consegui entender sua mensagem.

Os anos se passaram, e volta e meia ouvia-a e pude entender então o que Zé Fortuna queria transmitir naquelas linhas.

Vejo-me no pequeno circo de periferia, de lona rasgada e de vendedores de pirulitos vermelhos açucarados dispostos em um tabuleiro. A estrela do circo, o palhaço, sim, o palhaço que sentia prazer em estampar um sorriso nas crianças que iam assisti-lo.

A música conta que ao consultório de um médico, chegou um rapaz solicitando um remédio para sua dor, pois andava triste e aborrecido. Após um exame minucioso, o médico nada encontrara. Então lhe disse:

O seu mal é uma descrença de longa data vivida;

Lembrando as lutas que teve e todas elas perdidas;

Por isso tens a existência cansada e desiludida;

De tanto arrastar pro mundo a pesada cruz da vida;

Vá hoje naquele circo pra esquecer sua amargura;

Veja naquele palhaço a mais feliz criatura;

Ele faz rir quem está triste com as suas diabruras;

Só assim se distraindo, sua doença tem cura.

O rapaz abaixou a cabeça e mais triste respondeu:

Se este é o meu remédio, minha esperança morreu;

O palhaço alegra os outros tendo em pranto os olhos seus;

Não tenho cura porque aquele palhaço sou eu.

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